Dúvida: a partir de que idade é legítimo usar o indiscutível argumento “é da idade”, para desculpar todas as trapalhadas que protagonizamos nesta vida?
Boas Festas.
Dúvida: a partir de que idade é legítimo usar o indiscutível argumento “é da idade”, para desculpar todas as trapalhadas que protagonizamos nesta vida?
Boas Festas.
Visto no perfil do Facebook de alguém que viu o mesmo no Twitter de outro alguém:

Quarta-feira passada, no CCB, o concerto comemorativo dos 50 anos desse álbum incontornável – não só da história do Jazz, mas da história universal da música.
Jimmy Cobb, única lenda ainda viva da formação original liderada por Miles Davis, mostrou que os seus 80 anos não estão para brincadeiras.
Wallace Roney (trompete), Vincent Herring (sax alto), Javon Jackson (sax tenor), Larry Willis (piano) e Buster Williams (contrabaixo) são os restantes membros da fabulosa So What Band, que tem acompanhado Jimmy Cobb na digressão mundial Kind Of Blue At 50.
Sobre a emoção de ver Jazz deste calibre ao vivo, é quase impossível dizer o que quer que seja. A música respira no Jazz como em nenhum outro género: cada músico tem a liberdade e o espaço que precisa e merece para fazer a sua arte crescer. É o chamado respeitinho pelo artista, que é bonito de ver.
A propósito de Jazz, quem puder que dê um pulinho ao festival Guimarães Jazz, a decorrer no Centro Cultural Vila Flor até ao dia 21 de Novembro. Mais informações aqui.
Este é um dia sem forças para me agarrar. É um dia sem abraços de boas vindas, sem calorosas recepções, sem palmadinhas nas costas, sem um sinal de agradecimento, sem grandes promessas, sem grandes descansos, sem grande coisa. Este é um dia à espera de acabar, à espera de se apagar, à espera de extinção. E por isso a música é solene, quase fúnebre, anunciando a despedida de uma jornada que ainda agora mal começou – “this is the longest goodbye“.
E, apesar de tudo, não são estes os dias que nos reservam as maiores surpresas, os maiores sorrisos, os momentos que ficam para sempre?
Este é um dia sem forças para me agarrar. Hoje, vou ser eu a agarrá-lo.
* em escuta:
Sentir que, no presente, vi o passado – ou o futuro de um passado. É dizer olá a quem já se disse adeus, é cumprimentar alguém de quem já nos despedimos. Tento decifrar a melhor das opções: ou deixar ir ou agarrar o que tenho, enquanto o tenho. É o meu eterno dilema e sempre será. E é sempre nestas alturas que vejo umas escadas mesmo à minha frente, convidando-me a saltar, a correr, a fugir. Mas fugir de quê? Do que quero ter mas tenho medo de perder? Que absurdo é esse?
Comigo, todos os absurdos são possíveis (e se a vida é a mãe de todos os absurdos, então estou no sítio certo, à hora certa).
As luzes fogem-te dos olhos, os sons parecem chegar até ti nos decibéis errados. Vês gente a chegar e a partir como estrelas cadentes, e ela dá passos de bébé em direcção à cidade – tu já estiveste no lugar dela, pensas.
Sorris, mas rezas secretamente. E não sabes se é por ela, ou por ti.
“And if birds could fly high over their troubles,
She gonna find some of her own wings and fly.”
Fui ali e já venho. Pode ser que nos vejamos por lá.
E o comboio continua em andamento…
Gosto pouco de paragens frequentes – quebram o ritmo e, até, a paisagem. Mas, amanhã, vou sair na próxima estação. Não sei o que me espera e foi isso que me fez parar. A viagem é minha e só minha, mas gosto da tua companhia. Vai ficando; eu não me importo. Quando partires, mando-te postais.