A partir de uma certa altura, a minha história, com mais ou menos personagens, tem sido sempre a mesma: sou a miúda que procura resgatar o mundo que, aparentemente, lhe passou ao lado. Quero viver num cantinho de mundo onde a agressão seja uma coisa mais distante e a alegria de viver seja palpável. Vivo rodeada de gente que, a cada dia que passa, está mais próxima do abismo. Gente que carrega todos os dias no rosto uma insatisfação insuportável por não estar onde gostaria, por não ter o que quer – e, assim, a felicidade é uma coisa “dos outros”.
Hoje, apetece-me chorar por todas essas almas desistentes que decido abandonar.
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Aproxima-se a altura de fazer as malas novamente e desta vez fá-lo-ei apenas por mim e pela vontade de viver mais do que isto que me tentam impingir. E é por isso que a bagagem será leve; o objectivo é começar do zero, desenhar o meu próprio esboço e dar-lhe forma depois, com todos os lápis de altos e baixos que for comprando pelo caminho.
Está quase na hora – não sei se quero uma anestesia ou se quero sentir tudo.
